Estrabismo em adultos tem cura?

Muita gente cresce ouvindo que estrabismo é “coisa de criança” e que, depois de adulto, não tem mais o que fazer. Não é verdade. O estrabismo no adulto tem tratamento, seja um desvio que apareceu agora, seja um que voltou anos depois de uma cirurgia feita na infância.

Sou a Dra. Gabriela Bolina, oftalmologista especialista em estrabismo em Belo Horizonte. Neste texto explico por que o estrabismo do adulto acontece, quando a cirurgia é indicada e o que muda quando o caso já passou por outro tratamento antes.

Por que o estrabismo aparece na vida adulta?

Existem duas situações bem diferentes, e o tratamento muda conforme cada uma:

  • O desvio existia desde a infância, foi operado ou não, e voltou a aparecer ou nunca foi tratado.
  • O desvio surge agora, pela primeira vez, muitas vezes ligado a outra condição, como diabetes descompensado, alterações neurológicas ou problemas na tireoide.

Nos dois casos, a avaliação começa do mesmo jeito: entender a causa antes de pensar em conduta. Um desvio que surgiu do nada, por exemplo, pode ser sinal de algo que precisa ser investigado em conjunto com outro especialista, não só corrigido no olho.

Quais são os sintomas de estrabismo no adulto?

Diferente da criança, o adulto costuma perceber e relatar o que está sentindo com mais clareza. Os sinais mais comuns são:

  • Visão dupla, principalmente ao olhar para os lados ou de longe.
  • Um olho que “foge” para dentro, para fora, para cima ou para baixo, visível em fotos ou no espelho.
  • Cansaço visual e dor de cabeça ao ler ou usar telas por muito tempo.
  • Dificuldade para calcular distância ou profundidade.

Se qualquer um desses sinais apareceu recentemente, vale marcar uma avaliação sem esperar que “passe sozinho”.

Todo estrabismo de adulto precisa de cirurgia?

Não. Parte dos casos é acompanhada de forma clínica, com prismas nos óculos ou tratamento da causa de base, quando existe uma. A cirurgia entra quando é o caminho que melhor resolve o desvio e a visão dupla, depois de uma avaliação completa que confirma que é o momento certo.

Quando a cirurgia é indicada, trabalho com técnica minimamente invasiva, que preserva melhor os tecidos ao redor do olho e costuma trazer uma recuperação mais tranquila.

E se eu já operei antes e o desvio voltou?

Isso é mais comum do que parece, e tem tratamento. A reoperação de estrabismo é uma parte importante do meu trabalho: avalio o que foi feito antes, por que o desvio voltou e qual é a melhor conduta a partir daí. Cada reoperação é única, porque o tecido já foi manipulado uma vez, e a avaliação leva isso em conta desde o início.

O que você não deve fazer

  • Não ignore um desvio que apareceu do nada, mesmo que pareça leve: pode ser sinal de outra condição que precisa de investigação.
  • Não assuma que “não tem mais jeito” só porque já tentou tratar antes ou já passou de determinada idade.
  • Não use tampão ou óculos “de farmácia” por conta própria, sem uma avaliação que confirme a causa do desvio.

Vale a pena tratar o estrabismo mesmo depois de adulto?

Sim. O tratamento pode melhorar a visão dupla, o conforto visual no dia a dia e também a forma como você se enxerga e se relaciona. Cada caso é avaliado com expectativa realista, mas a idade sozinha nunca é motivo para deixar de investigar.

Se você convive com um desvio no olhar, visão dupla ou já fez uma cirurgia que não resolveu como esperado, o primeiro passo é simples: uma avaliação para entender exatamente o que está acontecendo.

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Escrito pela Dra. Gabriela Bolina · Oftalmopediatria e Estrabismo · CRM-MG 80.761 · RQE 59.376 · Título de especialista pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia, membro do Conselho Brasileiro de Estrabismo e da Sociedade Brasileira de Oftalmopediatria.

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